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10/07/2008,16h:45m
O presidente da Fundação propôs o nome de João Ribeiro de Barros como patrono da navegação aérea
 
 
 
Encerrando a solenidade de entrega do restauro do hidroavião Jahú, em 26 de Outubro de 2007, no Helipark, em São Paulo - Capital, o brigadeiro José Vicente Checcia, presidente da Fundação Santos Dumont, em seu discurso propos o nome do comandante João Ribeiro do Barros para patrono da Navegação Aérea brasileira. Eis a  íntegra do discurso:
 

 

"Senhoras e Senhores,

 

Somos todos feitos da mesma matéria que nossos sonhos, nos diz Shakespeare em sua magnífica filosofia.

 

E hoje, diante dessa imagem silente e majestosa do Hidroavião Jahu, estamos, na realidade, testemunhando a vivência de um sonho.

 

Trata-se do Hidroavião S5509 Savoia-Marchetti, denominado Jahu, com tripulação de 4 pessoas, 24 metros de envergadura; 16,20 metros de comprimento; 5,70 metros de altura, com dois motores, montados em push-pull isota-fraschiti - 500hp cada um.

 

Único exemplar existente no mundo, com o qual João Ribeiro de Barros esse intrépido paulista, nascido em 04 de abril de 1900, e sua tripulação efetuaram a travessia do Oceano Atlântico entre Gênova e São Paulo, em 1927, navegando sem auxílio ou apoio terrestre ou marítimo, amparado apenas pelas estrelas, e o tempo estimado de vôo.

  

 

Em sua tripulação estavam:

 

-                    João Ribeiro de Barros – Piloto;

-                    Newton Braga- Navegador;

-                    João Negrão – Co-Piloto;

-                    Vasco Cinquinni – Mecânico; e

-                    Machado Mendonça.

 

Era o início e comprovação da navegação aérea estimada e astronômica em nosso planeta.

 

E o mundo, após esse feito, parece encolher, e o oceano, tão necessário para alçar vôo e nele amerissar, era paradoxalmente suprimido.

 

Itália e Brasil estavam ligados não fisicamente, mas no tempo e em suas relações comerciais e de amizade.

 

Entretanto, este avião, símbolo do denodo e do pioneirismo dos brasileiros poderia estar fadado ao esquecimento e ao destino de todos os outros desse mesmo tipo, não fora a sensibilidade histórica e patriótica dos proprietários e dirigentes do Helipark:

 

-                    Regina Helena Scripilliti Velloso

-                    João Zeferino Ferreira Velloso

-                    Élson Dias Sterque Junior

 

Que se dispuseram a recuperá-lo, colocando-o de novo com suas características e especificações originais, voltando a ser o Pássaro de Fogo, como era chamado na época da travessia.

 

Assim sendo, que sejam minhas palavras de agradecimento e gratidão, em nome da Fundação Santos Dumont, e de todos os pioneiros de nossa aviação.

 

Foi um trabalho árduo, por vezes artesanal, regulado por um convênio entre esta Fundação, o Helipark e a Força Aérea Italiana, com a aprovação catalisadora e imprescindível  do IV Comando Aéreo Regional (IV COMAR).

 

Diante dessa magnífica aeronave, ainda mais, excelentemente restaurada, não faltaram interesses gananciosos e diversos dos fins públicos e culturais que movem a Fundação Santos Dumont, inclusive incrustrados em seus estatutos, e nos corações de todos que cercaram nessa empreitada patriótica, obrigando-a a defender o Jahu em diversas demandas e instâncias, tanto administrativas como judiciais, impedindo a disposição desse valioso bem e a sua ida para outras nações interessadas em tê-lo.

 

Com sua recuperação aprovada pelo CONDEPHAAT, a exposição pública do Jahu tem agora a missão de levar aos jovens de hoje a mensagem histórica de um passado de glórias e realizações, principalmente no ramo aeronáutico.

 

 

Feliz a nação que pode ter como patrono de sua aeronáutica, o próprio pai da aviação, Santos Dumont, e feliz também o povo que pode reverenciar o pioneirismo e a primazia da realização da travessia do Atlântico, simplesmente ao olhar para o Jahu, já agora maravilhosamente restaurado pela tecnologia do Helipark.

 

Por fim, e por tudo que aqui foi dito, tenho a honra e o privilégio de propor o nome do eminente piloto brasileiro “João Ribeiro de Barros” para patrono da navegação aérea em nosso pais, solicitando às autoridades brasileiras que aceitem e tornem esta proposta efetiva e legalmente estabelecida.

 

 

 

Esta seria, tenho certeza, a maneira de perpetuarmos o sonho de João Ribeiro de Barros e de sua tripulação, e de darmos à sua realização um final condigno com a sua grandeza e com o significado patriótico e pioneiro que representa para todos os brasileiros".

RETROSPECTIVA

 

 

 

 

CONVÊNIOS  DA FUNDAÇÃO SANTOS DUMONT

COM O HELIPARK  E COM A AERONÁUTICA 

RESULTARAM O RESTAURO DO "JAHÚ" 

 

No ano em que se comemorou 80 anos do feito histórico de João Ribeiro de Barros e sua tripulação, o Helipark, maior centro civil de serviços especializados para manutenção de helicópteros da América Latina, entregou no   dia 26 de Outubro de 2007  à  Fundação Santos Dumont  o Hidroavião Jahú completamente restaurado, como uma homenagem aos mestres da aviação brasileira. A solenidade ocorreu na sede do Helipark no município de Carapicuíba, na Região da Grande São Paulo com o comparecimento de centenas de personalidades. Na oportunidade apenas falaram sobre a importância do Jahú e de sua tripulação o brigadeiro Vicente Checchia, presidente da Fundação Santos Dumont e o empresário João Veloso, presidente do Helipark. Compareceram á solenidade seguida de festa para centenas de convidados,  o ministro da Aeronáutica Juniti Saito, o brigadeiro Scherr comandante do IV COMAR  e o ex-ministro da Aeronautica, brigadeiro Werner Brauer. Oficiais superiores do Exército, da Marinha e da Policia Militar também prestigiaram  o evento. Durante todo o tempo foram transmitidas películas históricas sobre as proezas do Jahú e de sua tripulação comandada pelo pioneiro João Ribeiro de Barros assim com da visita ao Brasil da esquadrilha dos aviões Savoia Marchetti – aparelhos da mesma fábrica italiana que produziu
o hidroavião Jahú.

 
O Jahú, primeiro avião a cruzar o Atlântico pilotado por um brasileiro, - comandante João Ribeiro de Barros,  em 1927, e único “sobrevivente” mundial entre as 170 unidades produzidas na Itália durante a década de 20, foi recuperado nos hangares do Helipark, que destinou para esta operação doze profissionais, entre engenheiros aeronáuticos e técnicos em restauro, durante três anos e meio.

Mais de 12 mil horas de trabalho foram necessárias para retornar o Jahú as condições em que estava quando chegou ao país, há 80 anos, e foi aclamado por uma multidão de brasileiros. O projeto iniciou com um longo período de pesquisa, no intuito de encontrar os materiais originais que garantiriam a fidelidade do restauro. Os itens não encontrados no mercado precisaram ser desenvolvidos para o avião, como os pregos de cobre utilizados em toda a sua extensão.

O desafio assumido pela empresa demandou a compra de equipamentos e montagem de uma oficina especialmente para o restauro. A pesquisa inicial contemplou, inclusive, o retorno do avião à situação original, retirando de seu casco pedaços de madeira e outros materiais inadequados, que foram instalados em restaurações anteriores. Da mesma forma, um longo período de avaliação foi necessário até a descoberta da cor exata do avião, que durante muito tempo foi exposto em um tom mais escuro do que o original.

Ao longo deste período, o Helipark contou com o trabalho voluntário dos restauradores profissionais Celso Calixto e Walfrido de Oliveira e o apoio de algumas empresas com a doação de materiais e serviços. A Fink foi a responsável pelo transporte do avião do Campo de Marte para o Helipark, em 2004. Seis caminhões foram necessários para a operação que durou 15 horas e envolveu 40 pessoas. A Otto Baumgart forneceu o inseticida necessário para a decupinização total do Jahú.

Tintas, vernizes, lixas, óleo de linhaça, massa F 12 e outros materiais fundamentais para o restauro foram obtidos por meio de parcerias com as empresas 3V Tintas, JD Tintas, 3M do Brasil, Tintas Irajá e Viapol. A Bartos doou o couro para os assentos, o Instituto Arruda Botelho contribuiu com parte da madeira e a Zeloso produziu um carrinho especialmente para o hidroavião.

A Jahú Borrachas e Acessórios contribuiu com a doação de livros sobre a história de João Ribeiro de Barros, que foram vendidos e os recursos revertidos para o restauro do avião. Os dois motores foram restaurados pelo PAMA (Parque de Material Aeronáutico de São Paulo).

O restauro do Jahú é o resultado de um convênio firmado entre o Helipark, o Ministério da Aeronáutica (IV Comar) e a Fundação Santos Dumont, com o acompanhamento do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). Assim como a viagem de João Ribeiro de Barros, o restauro do Jahú não teve qualquer apoio material do poder público.

O Hidroavião Jahú e Sua História

O brasileiro João Ribeiro de Barros, nascido em 1900 na cidade de Jaú, interior de São Paulo, tornou-se o primeiro aviador das Américas a cruzar o Oceano Atlântico, no ano de 1927. Saindo de Gênova e chegando, finalmente, em Santo Amaro (SP), Ribeiro de Barros e sua tripulação tornaram-se heróis nacionais depois de concluir a travessia de 12 horas sobre o mar, sem escalas.

O ousado projeto não teve apoio do governo brasileiro, que considerou a idéia absurda para a época. Assim, João Ribeiro de Barros comprou, com recursos próprios, o hidroavião italiano Savóia Marchetti SM 55, que mais tarde seria renomeado Jahú, em homenagem à sua terra natal. Após alguns reparos e alterações de aerodinâmica no aparelho, Ribeiro de Barros prepara-se para a grande aventura: cruzar o Atlântico com seu hidroavião e sem navios de apoio.

Com quatro integrantes na tripulação, o navegador Newton Braga, o mecânico Vasco Cinquino e o co-piloto João Negrão, que se uniu ao grupo em Porto Praia, além do comandante Ribeiro de Barros, o Jahú partia, em 13 de outubro de 1926 para uma aventura que consumiria seis meses de esforço e obstinação. A viagem foi marcada por muitos desencontros em seu trajeto como, por exemplo, sabotagens de ‘inimigos’ interessados em cumprir antes a travessia, surtos de malária e desentendimentos entre a tripulação.

Durante o percurso, o hidroavião fez diversas paradas para manutenção como, por exemplo, no Golfo de Valência e Gibraltar e Porto Praia, na África, de onde o Jahú finalmente levantou vôo rumo a terras brasileiras. Na madrugada de 28 de abril de 1927, voando a uma velocidade de 190km/h (recorde absoluto para a época), o Jahú permaneceu durante 12 horas no ar e, ao entardecer, mesmo com problemas em uma das hélices, pousou vitorioso próximo a Fernando de Noronha. A equipe teve ainda disposição para pilotar até Natal e Recife e, enfim, Rio de Janeiro e São Paulo, terminando a viagem na represa de Santo Amaro, no dia 2 de agosto de 1927.

Apesar de não ser o primeiro no mundo a fazer a travessia do Atlântico, João Ribeiro de Barros foi o primeiro comandante das Américas a completar esta façanha. Muitos ainda atribuem, equivocadamente, a honraria a Charles Lindbergh, que, na verdade, realizou um vôo solitário pelo Atlântico Norte em 20 de maio de 1927, 23 dias após o final da saga do Jahú.

Helipark - Centro de Serviços para Helicópteros

O Helipark oferece manutenção, hangaragem, abastecimento, pintura e tapeçaria para as principais marcas de helicóptero do mundo: Bell, Eurocopter, Robinson e Enstrom. Com o maior número de certificações e o mais completo estoque de peças do mercado brasileiro, o Helipark é considerado referência nacional em qualidade e segurança na manutenção e operação de helicópteros. 



Texto: da Redação deste Portal e da Assessoria de Comunicação da Helipark 

 

 

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